21 de setembro de 2006

A QUEM INTERESSA???

O site CLÉOFAS (http://www.cleofas.com.br) publicou sobre o Instituto Bom Pastor, erigido por S. S. Bento XVI em 8 de setembro (em vermelho/itálico):

Ex-seguidores de Lefebvre retornam à Igreja

É uma grande alegria para nós católicos saber que um grupo de cinco sacerdotes e seminaristas franceses, vários deles ex-membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X fundada pelo arcebispo cismático Marcel Lefebvre, restabeleceram sua plena comunhão com a Igreja Católica e fundaram o "Instituto do Bom Pastor" com a aprovação do Papa Bento XVI. (ACI, Roma, 11 set 06).

D. Marcel Lefebvre e seus seguidores, inclusive o ex Bispo de Campos dos Goytacazes, RJ, não aceitaram o Concilio Vaticano II e suas decisões, e separaram da Igreja Católica, e foram excomungados “latae sententiae” quando D. Lefebvre ordenou bispos sem o consentimento do Papa. Foi uma dura separação para a Igreja. Mas graças a Deus agora retornam à Igreja como muitos outros já o fizeram, aceitando o Concilio e tudo mais que é ensinado pelo Magistério da Igreja.

Este Instituto foi fundado em Roma em 8 de setembro último, na festa da Natividade da Virgem María, como Sociedade de Vida Apostólica de direito pontifício, podendo celebrar a Missa em latim segundo o rito tridentino. Segundo seus estatutos, a seus membros lhes reconhece "o uso exclusivo da liturgia gregoriana", rito contido nos livros litúrgicos que regiam em 1962, ou seja, o pontifical, o missal, o breviário e o ritual romano.

Segundo a agência France Press, os sacerdotes em questão são Paul Aulagnier, Guillaume de Tanouarn e Philippe Laguérie, nomeado este último Superior Geral no decreto de ereção do novo instituto.

Os seminaristas, continua a agência, seriam ordenados pelo Cardeal Darío Castrillón Hoyos, Prefeito da Congregação para o Clero e Presidente da Comissão “Ecclesia Dei” criada para facilitar a volta à comunhão eclesiástica plena dos vinculados à Fraternidade fundada por Lefebvre.

O Arcebispo de Burdeos e Presidente da Conferência Episcopal de França, Cardeal Jean-Pierre Ricard, assinalou em um comunicado que a este Instituto pertencem os clérigos que desejam “exercer seu sacerdócio na tradição doutrinal e litúrgica da Santa Igreja Católica Romana”.

Os estatutos do Instituto do Bom Pastor foram aprovados com caráter experimental por um período de cinco anos.

O ponto principal de discórdia entre D. Lefebvre e a Igreja foi o Concilio Vaticano II tão amado pelos Papas Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI que deles participaram. Os católicos não podem ter dúvidas sobre a legitimidade, validade e grandeza desse Concilio que foi, como disse João Paulo II, “uma primavera para a Igreja”.

Ele disse sobre o Concilio, em 15/10/1995:

“Na história dos Concílios, ele reveste uma fisionomia muito singular. Nos Concílios precedentes, com efeito, o tema e a ocasião da celebração tinham sido dados por particulares problemas doutrinais ou pastorais. O Concílio Ecumênico Vaticano II quis ser um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo. A essa reflexão impelia-a a necessidade de uma fidelidade cada vez maior ao seu Senhor. Mas o impulso vinha também das grandes mudanças do mundo contemporâneo, que, como “sinais dos tempos”, exigiam ser decifradas à luz da Palavra de Deus.

Graças ao sopro do Espírito Santo, o Concílio lançou as bases de uma nova primavera da Igreja. Ele não marcou a ruptura com o passado, mas soube valorizar o patrimônio da inteira tradição eclesial, para orientar os fiéis na resposta aos desafios da nossa época.

À distância de trinta anos, é mais do que nunca necessário retornar àquele momento de graça. Como pedi na Carta Apostólica Tertio milennio adveniente (n.36) entre os pontos de um irrenunciável exame de consciência, que deve envolver todas as componentes da Igreja, não pode deixar de haver a pergunta: quanto da mensagem conciliara passou para a vida, as instituições e o estilo da Igreja.

Já no Sínodo dos Bispos de 1985 [sobre o Concílio] foi posto um análogo interrogativo. Ele continua válido ainda hoje, e obriga antes de mais a reler o Concílio, para dele recolher integralmente as indicações e assimilar o seu espírito... A história testemunha que os Concílios tiveram necessidade de tempo para produzir os seus frutos. Contudo, muito depende de nós, com a ajuda da graça de Deus. “ (L’Osservatore Romano, 15/10/95)

Veja então, que o Concilio Vaticano II foi a Grande Bênção para a Igreja nos últimos tempos.

Prof. Felipe Aquino

Observação: Fiz questão de publicar aqui o artigo na íntegra, já que ele 'desapareceu' do site... Muito estranho isso não?

Imediatamente enviei um mail ao professor, comentando a publicação (em azul):

Professor, Salve Maria.

Com satisfação volto a lhe escrever, desta vez comentando a notícia publicada pelo sr. com o título de "Ex-seguidores de Lefebvre retornam à Igreja". O que eu lamento profundamente é como a maneira que o seu site a divulgou, informando apenas o que lhe convinha. Por isso é importante que se faça algumas considerações (em azul/negrito). Em preto/itálico está o texto pelo sr. escrito.

1) "É uma grande alegria para nós católicos saber que um grupo de cinco sacerdotes e seminaristas franceses, vários deles ex-membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X fundada pelo arcebispo cismático Marcel Lefebvre, restabeleceram sua plena comunhão com a Igreja Católica e fundaram o "Instituto do Bom Pastor" com a aprovação do Papa Bento XVI. (ACI, Roma, 11 set 06)."

Primeiramente, é importante frisar que Monsenhor Lefebrve não é e nem foi considerado "cismático" pela ordenação dos 4 bispos em Écone, juntamente com Dom Antônio de Castro Mayer. Faço referência às palavras do Eminentíssimo Cardeal Dario Castrillon Hoyos, Prefeito da Congregação para o Clero, em entrevista à televisão Canal 5 em 13 de novembro de 2005, sobre a situação da Fraternidade São Pio X:

“Não estamos diante de uma heresia. Não se pode dizer em termos corretos, exatos, precisos, que haja um cisma. Há uma atitude cismática no consagrar Bispos sem o mandato pontifício. Eles estão na Igreja, – como foi dito no encontro com Dom Fellay -- falta apenas ma plena, uma mais perfeita comunhão, uma mais plena comunhão, porque a comunhão existe”.

Podemos ainda nos referir a diversas declarações de autoridades da Igreja. Ei-las:

"O ato de consagrar um bispo, sem autorização do Papa, não é, de si, um ato cismático" (logo não pode ser punido com excomunhão) (Cardeal Castillo Lara, presidente da Pontifícia Comissão para a Autêntica Interpretação do Código. In La Republica, 7/10/1988)

O Caso de Honolulu: uma capela da Fraternidade São Pio X recebeu do bispo de Honolulu a pena de excomunhão, por um decreto de 1º de maio de 1991. Cinco pessoas dessa capela recorreram a Roma. Em 28 de junho de 1993 o Cardeal Joseph Ratzinguer ordenou à Nunciatura Apostólica dos Estados Unidos que respondesse aos interessados.
"Depois de haver examinado o caso, com base no Direito Canônico, comunico que os atos referidos no decreto acima mencionado não são atos cismáticos formais, nos sentido estrito, e também não constituem pecado de cisma, e por isso, a Congregação para a Doutrina da Fé afirma que o decreto de 1/5/1991 carece de fundamento e validade"

"...A situação dos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma questão interna da Igreja Católica. A Fraternidade não é uma outra Igreja ou uma outra comunidade eclesial, no sentido usado pelo Diretório. Seguramente a Missa e os Sacramentos administrados pelos padres da Fraternidade são válidos. Os bispos são ilicitamente, mas validamente sagrados." (Cardeal Edwar Cassidy, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos: 3 de maio de 1994, resposta a uma carta)

"Mgr. Lefebvre não fez absolutamente nenhum cisma com as suas sagrações episcopais". (Professor Geringer, perito em Direito Canônico da Universidade de Munique)

E o mais interessante, professor, repare:

A Tese do Padre Gerald Murray:

Em julho de 1995, a Universidade Gregoriana, de Roma, aprovou com nota máxima, a tese de doutorado em Direito Canônico do padre americano Gerald Murray. Título da tese: O Estatuto Canônico dos fiéis do Arcebispo Marcel Lefebvre e da Fraternidade Sacerdotal São Pio X: estão eles excomungados como cismáticos?
O padre conclui: "cheguei à conclusão de que, canonicamente falando, Mgr. Marcel Lefebvre não é culpável de nenhum ato cismático... O exame das circunstâncias nas quais o arcebispo Lefebvre procedeu a sagrações episcopais à luz dos cânones 1321, 1323, 1324, suscita pelo menos uma dúvida significativa, senão uma certeza razoável contra a validade da declaração de excomunhão pronunciada pela Congregação dos Bispos. A declaração administrativa da Santa Sé parece ter deixado de levar em consideração o direito penal revisado do Código de Direito Canônico, especialmente no que diz respeito à mitigação ou isenção das penas latae sententiae. A malícia do arcebispo Lefebvre foi pressuposta. Suas convicções subjetivas sobre o estado de necessidade alegado foram pura e simplesmente omitidas por um comunicado não assinado, quando o Direito Canônico estipula que o fato de ter uma tal convicção e agir em conseqüência, mesmo estando enganado, preserva a pessoa de incorrer na pena latae sententiae.

Acredito que o sr. desconhecia tais pareceres das autoridades da Igreja sobre Monsenhor Lefebvre e a FSSPX. Já que o sr. e muitos dos seguimentos da Igreja agem com profunda "caridade ecumênica" com nossos "irmãos separados", acho que tal tratamento deveria ser também dispensado àqueles que são tão católicos quanto o sr.

2) "Mas graças a Deus agora retornam à Igreja como muitos outros já o fizeram, aceitando o Concilio e tudo mais que é ensinado pelo Magistério da Igreja."

Mais uma vez me permita contestar suas palavras. Para fontes do Vaticano, a novidade reside no fato de que “o próprio Bento XVI desejou esse procedimento” no qual “o missal tradicional de São Pio V não é um missal a parte, mas, uma forma extraordinária do único rito romano”. O Vaticano, como entre os membros do novo instituto, insiste em dizer que “este acordo corresponde às solicitações outrora feitas por Dom Lefebvre”, separado de Roma em 1988.

E, ao contrário do que o sr. afirma, o Instituto Bom Pastor não está obrigado a aceitar o Vaticano II. Pelo decreto papal se reconhece que os membros do Instituto do Bom Pastor têm o direito de “criticar de modo construtivo” o Concílio Vaticano II. Este ponto foi claríssimamente explicitado no supracitado sermão do Padre Laguérie:

“Há questões teológicas pontiagudas, em particular aquelas concernentes ao Concílio Vaticano II. Sobre este ponto nós temos a obrigação, também, o que é inesperado, de trabalhar, sob a condução do Papa, pois somente ele pode fazer isso, de restabelecer a autenticidade da doutrina católica”.
“Quero dizer com essas palavras que tudo o que há de ambíguo, e até de falso [no Vaticano II] deve ser restabelecido por nós, tendo em vista dar por fim uma autêntica interpretação desse Concílio. O que supõe de outro lado que essa interpretação não existe totalmente ainda, e vou dar alguns exemplos: a liberdade religiosa fez escorrer muita tinta, vós o sabeis, e efetivamente, há coisas aparentemente e textualmente contraditórias com o Magistério precedente. O Papa Bento XVI, quando era ainda o Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, retificou essa doutrina, quando esteve na Argentina em 1988, por ocasião das sagrações feitas por Monsenhor Lefebvre”.
“Eu não desejaria aqui entrar nos pormenores da Teologia, mas, enfim, eu vos citarei ainda um outro exemplo, o famoso, “subsistit in”.
“Está dito, no Concílio Vaticano II que a Igreja fundada por Cristo subsiste na Igreja Católica. Enquanto que a doutrina tradicional é evidentemente que a Igreja fundada por Cristo, é a Igreja Católica”.
(...)
“Em síntese, é preciso voltar a dar um sentido verdadeiramente e univocamente católico a todos esses textos, e este também é o trabalho igualmente confiado ao Instituto [Bom Pastor]”. (Primeiro sermão do Pe. Laguérie como Superior do Instituto do Bom Pastor).

Isto é muito significativo, professor: dá-se a um instituto a ordem de "criticar" o "intocável" Vaticano II!

"Os três encargos essenciais de nossos estatutos eu os resumo dizendo:

- a obrigação da Missa tradicional,
- o dever de criticar, de dar a verdadeira interpretação do Concílio Vaticano II,
- terceiro, esta abertura de paróquias, que está em nossos estatutos!

É também uma ordem da Santa Igreja Romana que nos confia este trabalho. Isso é verdadeiramente maravilhoso » ” (Primeiro sermão do Pe. Laguérie como Superior do Instituto do Bom Pastor).

Veja só, professor, não se obriga ao Instituto Bom Pastor a obediência ao Concílio Vaticano II. Ao contrário do que se exigiu à Administração Apostólica São João Maria Vianey, em Campos...

Será, prezado professor, o fim do "Espírito do Concílio", condenado pelo próprio Bento XVI em sua alocução no dia 8 de dezembro de 2005???

Bom, prezado professor, nem sei se terei uma resposta, mas ouso afirmar que vem chegando a primavera na Igreja... a fumaça de Satanás que um dia, segundo o próprio Paulo VI, entrou por alguma janela da Igreja começa a ser dissipada.

Pax Christi!

Jorge Luis

Fontes de consulta:

www.montfort.org.br
www.capela.org.br/indice.htm


Fica aqui a minha pergunta: A QUEM INTERESSA MANIPULAR AS NOTÍCIAS DO QUE VEM ACONTECENDO NA SANTA SÉ??? A QUEM INTERESSA DISTORCER A VERDADE DOS FATOS???

Pax Christi!!!

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