18 de fevereiro de 2025
Cinquenta coisas que deixam triste a quem muito ama nossa Igreja
19 de dezembro de 2022
COMBATER O BOM COMBATE
18 de outubro de 2010
MAIS UM BALUARTE DA FÉ CATÓLICA

"O meu comportamento é baseado em minha consciência e no Evangelho. E visa à discussão de valores com a sociedade. Seja qual for o resultado das eleições, filósofos, sociólogos, antropólogos, religiosos e a população já começaram a debater o que chamam de "agenda de valores". O relativismo na sociedade e na Igreja Católica, sempre lembrado pelo papa Bento XVI, também tem sido questionado: o meu sim é sim e o meu não é não."
Deus, omnium fidelium pastor et
rector, famulum tuum LUDOVICUS, quem
pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti,
propitius respice: da ei, quaesumus,
verbo et exemplo, quibus praeest, proficere;
ut ad vitam, una cum grege
sibi credito, perveniat sempiternam.
Per Dominum.
Tradução:
Ó Deus, Pastor e Guia de todos os fiéis,
olhai propício para o vosso servo LUIZ,
a quem constituistes pastor de vossa Igreja,
e fazei, Vos pedimos, que com palavras e exemplos,
ele edifique os seus súditos, a fim de que alcance, um dia,
a vida sempiterna com o rebanho que lhe foi confiado.
Por Nosso Senhor.
(Fonte: Missal Quotidiano, Dom Beda Keckeisen OSB, 1962)
30 de setembro de 2009
MAIS UMA VEZ MEDJUGORJE…
(Artigo publicado no blog da RADIO CRISTIANDAD, da Argentina – tradução de Jorge Luis)
Medjugorje volta ao “olho do furacão”: O bispo da diocese torna a proibir a propaganda das supostas aparições
2009 Septiembre 30
por María Angel
Segundo publicado hoje em InfoCatólica, o bispo de Mostar-Duvno, monsenhor Ratko Peric, tornou a proibir a propaganda e difusão das mensagens das supostas aparições de Medjugorje (Bosnia-Herzegovina). Para isso, encaminhou recentemente uma série de cartas ao pároco e ao vigário-geral do indevidamente chamado “Santuário” com determinações específicas, de modo a evitar o aumento da confusão entre os fiéis que reina neste lugar desde 1981, momento em que se começaram a produzir estes fenômenos.
Entre as indicações dadas por monsenhor Peric se destaca a proibição de que sejam publicadas as suspeitas mensagens e os comentários às mesmas, assim como o uso público de orações propostas pelas “aparições”. Igualmente nega que seja permitido chamar “Santuário” ao lugar das mesmas, nem seque privadamente, pois se trata apenas de uma igreja paroquial. O bispo ordena que os sacerdotes estrangeiros não deem conferências nem retiros sem uma permissão expressa e também lhes exige um ‘celebret’ de suas respectivas dioceses ou ordens religiosas para poder celebrar a Santa Missa no lugar.
Mas a coisa não para por aí. O bispo tampouco quer que outras ordens religiosas, com exceção dos Franciscanos, decidam fixar ali sua residência. Monsenhor Ratko Peric anuncia também o fechamento de uma igreja que fora construída com financiamento de particulares. Recorda também a probição ao “Oásis de paz”, desde dezembro do ano passado, de manter uma Custódia com o Santíssimo Sacramento em sua capela privada e de dirigir uma adoração eucarística, advertindo que tal associação religiosa não pode residir no território de sua diocese. Por último, a máxima autoridade da Igreja no lugar ordenou a retirada da frase “Medjugorje, um lugar de oração e reconciliação” da página web oficial.
VISTO EN: SECTOR CATÓLICO (em espanhol)
28 de setembro de 2009
CATÓLICOS EM CÉLULAS ???
Salve Maria!
Recebi um mail de um amigo seminarista – seguidor deste blogue - que me convidou a participar de um site de ‘relacionamentos’ chamado Nação Católica. Resolvi dar uma olhada e até fiz um cadastro lá. Encontrei uma comunidade que me chamou a atenção, chamada “Católicos em Células”. Transcrevo aqui a definição da própria comunidade:
O que são Células?
O termo “célula” é sugestivo, pois a Igreja de Cristo, como nos diz São Paulo, é um “corpo” (cf ICor 12, 27) e sabemos que o corpo humano é composto por milhares de pequenas unidades que se juntam para formar o corpo. Essas unidades são chamadas células. Um bebê tem seu início em uma pequena célula no útero da sua mãe, então ela cresce e se multiplica em duas células. Essas duas se transformam em quatro, as quatro em oito e assim por diante.
Uma célula que cresce e se multiplica, transforma-se em um corpo humano, vivo, saudável e maravilhoso! Assim a Igreja de Cristo deve crescer, pois este foi o mandato de Jesus: “Ide, então fazei de todos os povos discípulos meus”. (Mt 28,19)
Células de Evangelização - São pequenos grupos, de no mínimo 3 pessoas e no máximo 12 pessoas, que crescem e multiplicam-se como células humanas.
Como as células crescem?
Através da evangelização. Cada membro da célula, evangeliza uma ou mais pessoas de seu relacionamento cotidiano, trazendo-as para a célula, então se da o crescimento multiplicando-se ou através de implantação de novos núcleos celulares.
Multiplicação – Uma célula quando ultrapassa o número ideal de participantes (12 pessoas) multiplica-se em 2 ou 3 novas células. Os líderes auxiliares da célula (mãe) serão os líderes das novas células (filhas).
Implantação – Se a necessidade exigir, um líder já treinado dentro do sistema de células e participante de uma célula, começa sozinho ou com mais um membro uma nova célula. Desta forma uma célula com 12 pessoas, pode iniciar 12 novas células.
Tipos de células
Heterogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum como: parentesco, estado de vida comum, faixa-etária, profissão, lazer.
Homogênea: Composta de pessoas que possuem algo em comum faixa-etária, profissão, lazer.
Objetivos das células
1- Louvor (Liturgia)
2- Evangelização (Kerigma)
3- Comunhão fraterna (Koinonia)
4- Discipulado (Katequese)
5- Serviço (Diakonia)
Elementos da Reunião Celular
As reuniões vivenciam os objetivos celulares em 5 passos (5 “E´s”); baseado em At 2,42-47
1° Passo – Encontro – (Acolhida) -> COMUNHÃO
Objetivo: Integrar as pessoas, fazendo com que elas estejam à vontade na reunião não sentindo-se ameaçadas.
Atividades: Perguntar e dinâmicas – pequeno lanche
Duração: 10-15 min
2° Passo – Exaltação (Louvor) -> Louvor
Objetivo: Interação entre nós e Deus, focalizamos nossa atenção na presença de Deus entre nós.
Atividades: Cânticos, salmos, louvor espontâneo e silêncio.
Duração: 15 min.
3° Passo – Edificação (Ensino) -> Discipulado
Objetivo: Interação – Deus para nós através de sua Palavra, indo ao encontro das necessidades, edificando as pessoas, ajudando-as na vivência cristã.
Atividades: Estudo da Bíblia, perguntas, respostas e partilha
Duração: 40 min.
4° Passo – Evangelização (Missão) -> Evangelização
Objetivo: Interação; Deus agindo por meio de nós (alcançando os afastados) encorajamento para a missão evangelizadora.
Atividades: Planejamento de estratégias de evangelização, motivação por parte do líder para evangelizar, apresentação dos nomes dos que serão e estão sendo evangelizados para a oração.
Duração: 15 min.
5° Passo – Entrega (oração) -> Serviço
Objetivo: Interação entre Deus e nós. Através de súplicas e intercessão pelas necessidades da Obra de Deus e pelas necessidades pessoais. Aqui também se faz a partilha de bens materiais, quando for necessário.
Atividades: Oração uns pelos outros, intercessão pelos que estão sendo evangelizados, compromisso com a oração pelas pessoas durante a semana, partilha material.
Duração: 15 min.
Tempo de Reunião: 1 hora e meia.
Local da Reunião: Preferencialmente nas casas, porém se for necessário em qualquer lugar (escola, fábrica…)
Dia – Qualquer dia
Horário – Qualquer horário
Vantagens das células
1- Envolvimento pessoal
2- As pessoas ficam mais unidas
3- O pequeno grupo facilita a evangelização
4- Integração das pessoas na Igreja através de amizades
5- Acompanhamento pessoal (pastoreio)
6- Revelação de dons espirituais e geração de novos líderes
7- Ajuda mútua
8- Ensino bíblico prático
Fundamentos Bíblicos das Células
O Princípio de Jetro: Êxodo 18, 13-25
Ministério de Jesus
• Pequeno grupo de discípulos:
Mt 13,36
• Evangelização nas casas:
Mt 8,14; Mc 2,3; Mt 8,14; Mc 5,38-42; Lc 7,36; Lc 10,38-42; Lc 19,10
Igreja Primitiva
• Reuniões Cristãs nos lares: At 2, 42-47; At 12-17; At 20,7-12.20; Rm 16, 3-5; I Cor 16, 3-5; Colossenses 4,15; Filemon 2.
O texto acima nos mostra alguns aspectos que contrariam a doutrina católica:
1) A liderança das células é dada a um leigo, chamado de ‘líder’, vinculado a outra célula, pois dela deriva sua ‘formação’ e liderança.
2) Estrutura “piramidal”: cada célula de 12 pessoas (máximo) pode gerar 12 céluas, onde cada uma geraria mais 12, crescendo em ‘progressão geométrica”. Ou seja, cada membro de célula é um ‘líder’ em potencial de inúmeras células!
3) Todas as atividades da célula não tem a participação de um clérigo, no caso dos ‘católicos em células’, já que cada membro da célula é um líder em potencial de uma nova célula.
CATÓLICOS EM CÉLULAS NO MUNDO
EUA
A primeira experiência católica com a visão de células data de 1982. O irlandês - Pe. Michael Eivers -, depois de muito orar e estudar, buscando uma direção de Deus para o seu ministério, tomou conhecimento da estratégia da maior igreja evangélica do mundo, na Coréia do Sul, liderada pelo Pr. Paul Y. Cho, toda articulada em pequenos grupos familiares. (Tal como no Movimento “Carismático”, a origem do movimento de “católicos em células” vem do protestantismo – estratégia da ‘maior’ (?) igreja evangélica do mundo, liderada por Paul Cho. Estratégia esta que deriva do ‘livre-exame’ da Bíblia, da negação do Magistério da Igreja. Mais um fruto de ‘experiências’ buscadas por alguém insatisfeito pelo que o ensino da Igreja oferecia…)
ITÁLIA
Em 1988, inspirado na Paróquia de São Bonifácio, Pe. PiGi Perini, implantou a visão de células na Paróquia Santo Eustorgio, em Milão (ITA), tendo sido estimulado pelo Cardeal Martini (arcebispo na época).
VENEZUELA
O Pe. Vincenzo Mancini Pozzati vem, desde 1991 – influenciado por Pe. PiGi –, desenvolvendo o sistema de células em seu país. Atualmente conta com mais de 2000 células, ligadas à Fundação Bom Samaritano, uma associação de fiéis cuja sede com sede em Caracas.
Já existem, no Brasil, dois ‘pólos’ de proliferação do movimento de ‘católicos em células’ :
PARÓQUIA ESPÍRITO SANTO
A Paróquia Espírito Santo, da Diocese de São José dos Campos, iniciou primeiro esta experiência. Liderada pelo Pe. Luis Fernando Soares, desde 2004 esta comunidade vem provando grande crescimento e multiplicação, por ter assumido como propósito tornar cada casa da paróquia uma célula, extensão da comunidade e cada membro, um discípulo e missionário de Jesus Cristo.
http://www.paroquiaespiritosanto.com.br/
COMUNIDADE FANUEL
A Comunidade Fanuel, da Diocese de Santo André, é uma associação privada de fiéis liderada pelo casal Sandro Fatobene Peres e Rosemeire S. F. Peres.
Em 2006 fez a transição de uma comunidade com células para uma comunidade em células e desde então vem crescendo na compreensão do que é ser o corpo de Cristo, à semelhança das comunidades descritas no Novo testamento.
http://www.comunidadefanuel.com/
(As informaçãoes em itálico foram extraídas do blog “LIBERTOS DO ‘OPRESSOR’”)
Em breve apresentarei as contestações ao sistema de células, feitas por estudos de igrejas protestantes tradicionais. Antes de mais nada, é importante frisar que, tal como o Movimento Carismático, o sistema de células inicialmente foi um rompimento com o sistema tradicional das ‘denominações’ evangélicas, e de certo modo estes sistemas e movimentos são usados para uma ‘união’ de denominações, inclusive entre católicos e evangélicos. Seria, na verdade, uma forma de convivência “ecumênica” entre católicos e evangélicos, atendo-se somente ao ‘que os une’, e desprezando essencialmente ‘o que os separa’, como Maria, os Santos, a Eucaristia, o Primado Petrino, o Magistério da Igreja.
Pax Christi!
20 de setembro de 2009
A RCC: DESOBEDIÊNCIA AO MAGISTÉRIO DA IGREJA
Salve Maria!
A História da Renovação Carismática cita como documentos precursores de sua origem duas encíclicas do Papa Leão XIII, reinante de 1878 a 1903: PROVIDA MATRIS CARITATE e DIVINUM ILLUD MUNUS, sendo a última encontrada em espanhol no site da Santa Sé, e recentemente traduzida e postada neste blog.
Analisando a História da RCC com esta última encíclica, seria possível afirmar que a RCC nasceu realmente no Catolicismo, ou foi realmente um movimento nascido do Protestantismo e que infiltrou-se na Igreja no pós-Concílio Vaticano II?
Infelizmente não consegui ter acesso à encíclica PROVIDA MATRIS CARITATE. Então, analisemos a RCC à luz da DIVINUM ILLUD MUNUS.
Assim nos conta “A Origem da RCC”, encontrado no site da Comunidade Shalom:
“em 1º de Janeiro de 1901, primeiro dia do século vinte, (Leão XIII) invocou o Espírito Santo e cantou ele mesmo o hino "veni, Creator Spiritus" em nome da Igreja. Mas, apesar da fraca resposta dos católicos ao chamado do papa Leão XIII, pessoas de outras denominações se puseram em oração ao Espírito Santo e receberam manifestações impressionantes dos dons e poder do Espírito Santo, até que nos meados da década de 1960 também a Igreja Católica começou a experimentar a Graça da Renovação Carismática.”
Porém, recomendou Leão XIII:
“Qual seja a maneira conveniente para invocá-lo, aprendamo-la da Igreja, que suplicante se volve ao mesmo Espírito Santo e o chama com os nomes mais doces de pai dos pobres, doador dos dons, luz dos corações, consolador benéfico, hóspede da alma, aura de refrigério;”
Aqui observamos que a maneira conveniente de invocar o Espírito Santo é a ensinada pela Igreja. Estariam então estas ‘pessoas de outras denominações’ invocando o mesmo Espírito Santo? Eis um relato de um dos líderes contemporâneos da RCC, em seus primórdios:
“"Nos inícios da década de 60, uma onda de entusiasmo pelas vigílias de leitura da Bíblia e encontros de oração atravessou o país (EUA). Em Notre Dame (Universidade em South Bend, Indiana), notadamente nos anos de 1963/1964. Reuniões importantes eram realizadas, semanalmente, por um grupo de estudantes, muitos dos quais vieram a ter importante atuação no movimento pentecostal. Essas primeiras reuniões consistiam em leitura da Bíblia, preces de improviso, canto e discussão. Todavia, as orações eram menos espontâneas e a discussão era mais livre e mais humanística do que as das reuniões pentecostais anteriores.”
Vemos que as primeiras reuniões em muito já se assemelhavam às práticas pentecostais protestantes: leitura da Bíblia, preces de improviso… Indo ao contrário do que o mesmo Leão XIII havia exortado aos fiéis. Já vemos aí a influência do movimento pentecostal protestante nas práticas nada católicas da Renovação Carismática.
A Renovação Carismática nasceu do Protestantismo, e de uma desobediência expressa a um documento do Magistério da Igreja. Mais um motivo para um católico apartar-se de qualquer associação vinculada a este movimento.
Pax Christi!!!
AINDA SOBRE VASSULA RYDEN…
Salve Maria!
Apesar do que foi recomendado em 1995 e em 2007 pela Congregação da Doutrina da Fé sobre a ‘vidente’ ortodoxa Vassula Ryden (cujas recomendações reproduzo abaixo), ainda existem católicos envolvidos em reuniões promovidas pelo grupo “A Verdadeira Vida em Deus”, responsável pela propagação de suas “mensagens”, e o mais grave: usando dependências de paróquias e ordens católicas.
Foto tirada em um quadro de avisos de uma Igreja, no sul de Minas Gerais, no início do mês de Setembro de 2009.
25 de janeiro de 2007:
Santa Sé reitera que católicos não devem participar de encontros de Vassula Ryden
VATICANO, 09 Ago. 07 / 12:00 am (ACI).- A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) reiterou em uma comunicação enviada aos presidentes das Conferências Episcopais que "não parece oportuna a participação de católicos nos grupos de oração organizados" pela Vassula Ryden, uma controvertida mulher ortodoxa que se autoproclama vidente e receptora de "revelações privadas" diretamente de Cristo.
Na mensagem interna, datada de 25 de janeiro de 2007 e foi publicado por vários sites, o Prefeito da CDF, Cardeal William Joseph Levada, reconhece que seguem chegando a seu dicasterio "cartas pedindo elucidações sobre os textos e atividades da senhora Vassula Ryden, sobre tudo pelo que corresponde ao valor da Notificação de 6 de outubro de 1995 e aos critérios a seguir para definir as disposições da Igreja local sobre a conveniência de difundir os textos da senhora Vassula Ryden".
A CDF afirma primeiro que "a Notificação de 1995 segue sendo válida pelo que se refere ao julgamento doutrinal sobre os textos examinados".
Em seguida, sustenta que Ryden, "depois do diálogo tido com a Congregação para a Doutrina da Fé, fez algumas elucidações sobre certos pontos problemáticos que apareciam em seus textos e também sobre a natureza de suas mensagens, que se apresentam não como revelações divinas, mas bem como meditações pessoais delas".
"Portanto, do ponto de vista normativo, e depois tais elucidações, é necessária uma valorização prudencial caso por caso, levando em consideração a possibilidade concreta que têm os fiéis de ler os textos no contexto das mencionadas elucidações", adverte a CDF.
Finalmente, recorda que "não parece oportuna a participação de católicos nos grupos de oração organizados pela própria senhora Ryden. Por isso respeita eventuais encontros ecumênicos, os fiéis têm que se ater às disposições do Diretório ecumênico, do Código de Direito Canônico (C. 215; C. 223, &2; C. 383, &3) e dos Ordinários diocesanos".
A Notificação de 1995
Em 6 de outubro de 1995, a CDF emitiu uma Notificação em que explica que depois de "uma análise atenta e serena de todo o assunto" se encontraram "junto a aspectos positivos, um conjunto de elementos fundamentais que devem considerar-se negativos à luz da doutrina católica" nas revelações de Ryden.
A Notificação, minimizada pelos seguidores de Ryden, destacou "o caráter suspeito das modalidades com que se produzem essas supostas revelações" e destaca "alguns enganos doutrinais contidos nelas" como o uso de uma linguagem ambígua das Pessoas da Santíssima Trindade, até confundir seus nomes e funções específicas; o anúncio de um período de predomínio do Anticristo no interior da Igreja; a profecia em chave milenarista de uma era de paz e bem-estar universal antes da vinda definitiva de Cristo; e a formação de uma Igreja que seria uma espécie de comunidade pan-cristã, em contraste com a doutrina católica.
A Notificação sustenta que Ryden participando de forma habitual nos sacramentos da Igreja Católica, apesar de ser grego-ortodoxa, criou "uma desordem ecumênica que irrita a não poucas autoridades, ministros e fiéis de sua própria Igreja, situando-se fora da disciplina eclesiástica da mesma".
A Notificação pede aos bispos informar "de forma adequada a seus fiéis, e não se conceda espaço algum no âmbito de sua respectivas diocese à difusão de suas idéias. Por último, convida a todos os fiéis a não considerar sobrenaturais os textos e as intervenções da senhora Vassula Ryden e a conservar a pureza da fé que o Senhor confiou à Igreja".
NOTIFICACAO SOBRE OS ESCRITOS DE VASSULA RYDEN
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé
06.10.1995
Muitos bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos se dirigem a esta Congregação para ter um juízo autorizado sobre a atividade da senhora Vassula Ryden, greco-ortodoxa, residente na Suiça, que está a difundir nos ambientes católicos do mundo inteiro, com a sua palavra e com os seus escritos, mensagens atribuídas a presumíveis revelações celestes.
Um exame atento e sereno da inteira questão, realizado por esta Congregação a fim de "pôr à prova as inspirações para verificar se provêm verdadeiramente de Deus" (cf. 1Jo 4,1), fez notar - ao lado de aspectos positivos - um conjunto de elementos fundamentais, que devem ser considerados negativos à luz da doutrina católica.
Além de evidenciar o caráter suspeito das modalidades com que acontecem essas presumíveis revelações, é imperioso ressaltar alguns erros doutrinais nelas contidos.
Entre outras coisas, com uma linguagem ambígua, fala-se das Pessoas da Santíssima Trindade até confundir os específicos nomes e funções das Pessoas Divinas. Preanuncia-se nessas presumíveis revelações um iminente período de predomínio do Anticristo no seio da Igreja. Profetiza-se em chave milenarista uma intervenção resolutiva e gloriosa de Deus, que estaria para instaurar sobre a terra, antes ainda da vinda definitiva de Cristo, uma era de paz e de bem-estar universal. Anuncia-se, além disso, o futuro próximo de uma Igreja que seria uma espécie de comunidade pancristã, em contraste com a doutrina católica.
O fato de nos escritos posteriores da senhora Ryden os mencionados erros já não aparecerem, é sinal de que as presumíveis "mensagens celestes" são apenas fruto de meditações privadas.
Além disso, a senhora Ryden, participando habitualmente nos sacramentos da Igreja Católica, embora seja greco-ortodoxa, suscita em diversos ambientes da Igreja Católica não pouca surpresa; parece pôr-se acima de qualquer jurisdição eclesiástica e de todas as regras canônicas e cria, de fato, uma desordem ecumênica, que irrita não poucas autoridades, ministros e fiéis da sua própria Igreja, colocando-se fora da disciplina eclesiástica da mesma.
Considerando que, não obstante alguns aspectos positivos, o efeito das atividades exercidas por Vassula Ryden é negativo, esta Congregação solicita a intervenção dos Bispos, a fim de que informem adequadamente os seus fiéis, e não seja concedido nenhum espaço no âmbito das próprias dioceses à difusão das suas idéias. Convida, por fim, todos os fiéis a não considerarem como sobrenaturais os escritos e as intervenções da senhora Vassula Ryden, e a conservarem a pureza da fé que o Senhor confiou à Igreja.
Cidade do Vaticano, 06 de outubro de 1995.
Acta Apostolicae Sedis AAS 88 (1996) 956-957; OR 23-24.10.1995; EV 14, 1956-1957; LE 5618
5 de julho de 2009
DIVISÕES E FRATURAS
(Visto no blog da Radio Cristiandad, Argentina – Traduzido por Jorge Luis)
Em três partes, pelo menos, parece se dividir a FSSPX junto a seus fiéis:
1- Os “Acordistas”: São aqueles que propõem um acordo com a Roma ‘modernista’. Diz-se que este grupo é liderado midiaticamente (na Argentina) pelo site “Panorama Católico Internacional”. Já cansados da trincheira, esperam ansiosos por um reconhecimento oficial do Vaticano. São chamados também de ‘a Neofraternidade’;
2- Os “Que não se metem”: Seguidores do ‘facilismo’. Aceitam com todo rigor o que os superiores e sacerdotes acordistas mandam. Têm aos sacerdotes por inspirados e estes lhes asseguram por sua graça de estado jamais trairão a Monsenhor Lefebvre. Estão nesta posição não por medo, mas por assentimento. São a maioria.
3- Os “Desobedientes”: A velha guarda. Os ‘desobedientes’ seriam os que permanecem onde Deus os pôs desde a fundação da Fraternidade por Mons. Lefebvre, ou seja, a resistência católica. Isto não lhes incomoda; ao contrário, guardam um secreto orgulho de estarem afastados do Vaticano II. São a minoria.
E no Brasil, que rumos vêm tomando a FSSPX?
Pax Christi!!!
31 de maio de 2009
ENQUANTO OS HEREGES SE VANGLORIAM…
Salve Maria!
Em artigo citado no site da Montfort, o arcebispo de Miami, Dom John C. Favarola, diz em nota estar decepcionado com o anúncio dado pelo Pe. Alberto Cutié de que estava se desligando da Igreja Católica e filiando-se à Igreja Episcopal.
Para quem não sabe, o Pe. Alberto Cutié foi notícia por ter sido flagrado em atitudes indecorosas em uma praia em Miami, Flórida.
Foto da capa da revista onde aparece o Pe. Cutié ‘curitndo uma praia’ ao lado de sua ‘gata’.
Após pedir ao arcebispo de Miami licença, o Pe. Cutié anunciou seu desligamento da Igreja Católica e sua filiação à Igreja Episcopal.
Porém, o que mais doeu ao arcebispo não foi o ato do padre em si, mas a ‘alegria’ demonstrada pelo bispo Episcopal. Diz Dom Favarola:
“Também devo expressar minha sincera decepção pela maneira com que o Bispo Leo Frade, da Diócesis Episcopal do Sudeste da Flórida, tratou essa situação. O Bispo Frade nunca falou comigo sobre sua posição ante tão delicado assunto, ou sobre as ações que considerava. Só ouvi dele através dos meios de comunicação locais. Isso representa um sério retrocesso nas relacões ecumênicas e a cooperação entre nós. A Arquidiocese de Miami nunca fez alarde público quando, por razões doutrinais, os sacerdotes episcopais se uniram à Igreja Católica e buscaram ser ordenados. De fato, fazê-lo violaria os principios da Igreja Católica sobre as relações ecumênicas. Lamento que o Bispo Frade não me concedesse, nem à comunidade católica, a mesma cortesia e respeito.”
Quanta dor sente o arcebispo neste momento: sem ‘decoro’, o bispo episcopal comemora a saída de um padre católico e a sua admissão ao seu ‘redil’. Para não magoar os ‘irmãos separados’, não se dá a devida repercussão para a conversão dos hereges à Igreja Católica. Tudo em nome dos ‘princípios da Igreja Católica sobre as relações ecumências’. Princípios estes norteados pelo (adivinhem!!!) Concílio Vaticano II.
Eis a abdicação do dever cristão de anunciar o Evangelho! Eis aí a negação da ordem do próprio Cristo: Ide e pregai o Evangelho a toda criatura.
E assim, enquanto os hereges se vangloriam, nós, católicos, em nome das ‘relações ecumênicas’, engolimos o êxodo de católicos e bispos ‘magoados’…
Pax Christi!!!
29 de janeiro de 2009
SOBRE O LEVANTAMENTO DAS EXCOMUNHÕES
Salve Maria!
Talvez muitos tenham estranhado a não manifestação instantânea assim que foi publicado o Decreto que levantou as excomunhões dos bispos sagrados por Dom Lefebvre em 1988. Não o fiz por motivos bem simples: preferi esperar o desenrolar dos acontecimentos, ouvir da própria boca do Santo Padre qual o significado deste gesto. Ainda bem que ele não me fez esperar por muito tempo...
Reproduzo aqui artigo publicado no site Terra, extraído do site 'Rainha Maria':
***
Papa pede que bispos lefebvrianos reconheçam o Concílio Vaticano II
28.01.2009 - O papa Bento XVI pediu hoje aos quatro bispos lefebvrianos aos quais revogou a excomunhão que "dêem os passos necessários" para alcançarem a plena unidade com a Igreja e reconheçam o Concílio Vaticano II.
O pontífice afirmou isto diante das pessoas que estavam presentes na Sala Paulo XVI para a audiência pública das quartas-feiras, oportunidade na qual também pediu a eles "fidelidade e reconhecimento ao magistério e à autoridade do papa".
O papa Ratzinger explicou sua decisão de revogar a excomunhão aos quatro prelados ordenados em 1988 pelo francês Marcel Lefebvre sem o consentimento de João Paulo II porque, afirmou, a missão do sucessor do apóstolo Pedro é trabalhar pela unidade de todos os cristãos.
O papa disse que realizou "este gesto de paterna misericórdia" porque estes prelados lhe expressaram seus sofrimentos por sua situação.
"Desejo que meu gesto se una ao compromisso deles de dar os passos necessários para conseguir a plena comunhão com a Igreja e testemunhem assim a verdadeira fidelidade e o verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do papa e do Concílio Vaticano II", declarou Bento XVI.
No último dia 24 o papa revogou a excomunhão do suíço Bernard Fellay, do espanhol Alfonso de Galarreta, do francês Tissier de Mallerais e do britânico Richard Williamson.
Fonte: Terra notícias
***
Todos sabiam quais eram as condições para o início das conversas entre Roma e a FSSPX: a 'liberalização' da Missa de sempre (ou do Rito tridentino, para não desagradar os neocons...) e o levantamento das excomunhões, não só dos quatro bispos sagrados por Dom Lefebvre, mas também dele e de Dom Castro-Mayer, os consagrantes. Pois bem, em 2007 Bento XVI publicou o Motu Próprio "Summorum Pontificum", dando plena liberdade aos sacerdotes de rezarem a Santa Missa usando o Missal de São Pio V com as rubricas atualizadas por João XXIII em 1962, apesar de muitos bispos resistirem ferozmente à aplicação deste Motu Próprio. Agora, a um dia do aniversário de convocação do Concílio Vaticano II (25 de janeiro de 1959), a Congregação para os Bispos levanta a excomunhão dos bispos da FSSPX – sem citar, é bom que se diga, os nomes de Dom Lefebvre e Dom Castro-Mayer.
Em relação ao Vaticano II, sabe-se que a FSSPX reconhece o Concílio Vaticano II como concílio validamente convocado. O que Dom Lefebvre não reconheceu foi o caráter 'dogmático' imposto a um concílio que foi meramente 'pastoral', que não definiu dogmas e que foi instrumento daqueles que pensam que venceram, os 'neo-teólogos', para introduzir o erro modernista na vida da Igreja. É essa 'autoridade' que o Santo Padre pede para ser reconhecida pelos bispos da FSSPX?
As duas condições foram cumpridas. E agora? Agora é esperar o que virá, e continuar rezando para que Deus ilumine os caminhos do Santo Padre.
Pax Christi!
1 de novembro de 2008
CATÓLICOS LIBERAIS, OS PIORES INIMIGOS DA IGREJA
Por Sandro Pelegrineti de Pontes
A Igreja Católica, desde o surgimento do liberalismo maçônico e de seu triunfo a partir da revolução francesa, luta a duras penas para conter o avanço da impiedosa mentalidade que vem destruindo a fé da maioria dos católicos no mundo todo. Hoje, mesmo aqueles que freqüentam paróquias, comungam, participam de pastorais, movimentos e “ministérios”, estão tomados pela mentalidade liberal. Desde Bento XVI até o mais humilde fiel, passando por bispos e sacerdotes, via de regra todos defendem que as religiões não católicas são boas, que os não católicos agradam a Deus desde que O busquem em suas vidas, que Deus está verdadeiramente presente também em suas religiões, etc...
Quando a Igreja começou a perder terreno devido ao avanço liberalismo, uma “avalanche” de documentos papais começou a brotar de Roma, sempre ensinando com firmeza a verdade católica. Neste sentido foram muitos os documentos, pronunciamentos e ações dos papas para gloriosamente tentar vencer o inimigo. O esforço não foi em vão, e por muitos anos o ímpeto liberal foi detido ou pelo menos amenizado. Mas a partir do século XIX a situação se agravou ainda mais, e o resultado deste agravamento é a babel que nós vivemos hoje. E por que isso aconteceu? Porque a partir deste período foram os próprios católicos que miseravelmente passaram a apoiar os princípios liberais, resumidos na tríade “liberdade-igualdade-fraternidade”. Tais pessoas receberam a alcunha de “católicos-liberais”, e muito trabalharam para a concretização da síntese entre a doutrina católica e a revolução francesa, levada a cabo pelo Vaticano II.
Infelizmente, muitos destes católicos-liberais concordavam com toda a doutrina maçônica, e as defendiam abertamente. Estes era fácil de se combater, bastando mostrar-lhes os seus erros de acordo com os ensinamentos da Igreja. Mas outros católicos concordavam com os princípios do liberalismo, mas não com a doutrina que os embasava. Foram precisamente estes que iniciaram a tentativa de síntese entre a revolução francesa e a doutrina católica. Assim que começaram a agir, persuadindo os fiéis a acreditarem que haviam verdades nos princípios maçônicos que poderiam e deveriam ser assimilados pela Igreja, prontamente os papas reinantes reagiram e denunciaram este empreitada como anti-católica. Na página 73 do livro “Do Liberalismo a Apostasia – A Tragédia Conciliar”, Dom Lefebvre nos conta que um padre de nome Roussel reuniu em seu livro “Liberalisme et Catholicisme” uma série de declarações do Papa Pio IX que condenaram esta tentativa de aliar a Igreja com a revolução. Na primeira delas que citarei, vejam o que ensinou Pio IX a um círculo católico de Milão, no ano de 1873:
“(...) Entretanto, por mais que os filhos dos séculos sejam mais hábeis que os filhos da luz, as astúcias dos inimigos da Igreja teriam MENOR ÊXITO se um grande número dos que levam o nome de católicos não lhes estendesse a mão amiga. MAS POR DESGRAÇA há os que parecem querer andar de acordo com nossos inimigos, e se esforçam por estabelecer uma ALIANÇA ENTRE A LUZ E AS TREVAS, um acordo entre a justiça e a iniqüidade, por meio destas doutrinas chamadas de “católico-liberais”; estas, apoiando-se em princípios os mais perniciosos, afagam o poder laico quando invade as coisas espirituais e fazem os espíritos respeitar ou pelo menos tolerar as leis mais iníquas, como se não estivesse escrito que ninguém pode servir a dois senhores. ESSES SÃO CERTAMENTE MAIS PERIGOSOS E MAIS FUNESTOS DO QUE OS INIMIGOS DECLARADOS, porque agem sem serem notados, ou pelo menos pensam agir assim. Porque MANTENDO-SE NO JUSTO LIMITE DAS OPINIÕES CONDENADAS FORMALMENTE, mostram uma certa aparência de integridade e de doutrina reta, seduzindo assim aos imprudentes amadores de conciliação e enganando gente honesta, QUE SE REBELARIA CONTRA UM ERRO DECLARADO. Assim dividem os espíritos, desfazem a unidade e DEBILITAM AS FORÇAS QUE TERIAM QUE SE UNIR PARA LUTAR CONTRA O INIMIGO...”.
Estas palavras caem como uma luva contra os defensores do concílio Vaticano II. Os “católicos” amigos da revolução francesa, querendo sustentar os princípios liberais e simultaneamente não podendo defender o embasamento de tais princípios (pois foram violentamente condenados), passaram a tentar conciliar a verdade católica com aquilo que eles pensavam que havia de cristão no liberalismo. Daí as nefastas doutrinas da liberdade religiosa conciliar, do ecumenismo, do diálogo inter religioso. “Vejam!”, disseram estes católicos, “a Igreja condenou a liberdade de culto baseada na consciência da pessoa, mas tal doutrina fundamentada na dignidade humana estaria perfeitamente de acordo com o evangelho”. Ou então: “Vejam, o ecumenismo que a Igreja condenou é o irenista, aquele que não admite que exista uma verdade. O ecumenismo que propomos é de um outro tipo, é evangélico, apesar de nunca ter sido realizado em mais de 1900 anos de Igreja. Deus estava esperando nós nascermos, os católicos-liberais, para trazermos esta grande verdade bíblica ignorada por séculos”. Pio IX então vai dizer que estes malditos católicos são piores do que os maçons, piores que os maiores inimigos da Igreja, pois tais católicos mantêm-se no “justo limite das opiniões condenadas formalmente”, mostrando assim uma certa “aparência de integridade e de doutrina reta”, o que faz enganar “gente honesta que se rebelaria contra um erro declarado”. Mais claro, impossível.
Por não poder declarar a liberdade de culto no Estado católico fundamentando-a como os liberais na consciência do sujeito, os católicos maçonicos então fundamentaram-na na dignidade humana, ensinando uma doutrina NUNCA ANTES ENSINADA, estabelecendo uma prática nunca antes adotada. E aí vem católicos honestos, que se rebelariam contra um erro declarado, e acabam aceitando o erro camuflado sobre aparência de verdade. A verdadeira liberdade religiosa obviamente é doutrina católica, e foi ensinada inúmeras vezes pelos papas, que citaram a dignidade de filhos de Deus como elemento fundamental para exercê-la. Mas esta liberdade conciliar, que dá direito de “não ser impedido de agir” também aos que erram é uma verdadeira aberração doutrinal jamais ensinada pela Igreja. E a Igreja já ensinou TUDO o que poderia ser ensinado. E a Igreja sistematicamente ensinou que qualquer novidade doutrinal deve sempre ser rejeitada pelos simples fato de ser novidade doutrinal. Não seria um concílio abominável (pois nele os católicos se uniram a protestantes e maçons) que ensinaria uma “verdade” que até então teria recebido o nome de “tolerância”, como querem os defensores do Vaticano II. Continuando, Pio IX também disse aos redatores de um jornal católico de Rodez, em dezembro de 1876:
“(...) Nós só podemos aprovar-vos pelo fato de terem empreendido a defesa e explicação das determinações de nosso Syllabus, principalmente as que condenam o liberalismo dito católico: o qual, contando com um grande número de partidários MESMO ENTRE OS HOMENS HONESTOS E DANDO A IMPRESSÃO DE SE AFASTAR POUCO DA VERDADE, ENGANA MAIS FACILMENTE os que não estão de sobreaviso, e destruindo o espírito católico insensivelmente e de modo velado, diminui as forças dos católicos e AUMENTA AS DO INIMIGO”.
Novamente, Pio IX vai insistir nesta questão de homens honestos defenderem a síntese entre revolução e Igreja. E que tais homens enganam os católicos, pois dão a impressão de se afastar pouco da verdade, o que aumenta as forças do inimigo. Estes são os piores inimigos da Igreja. No mês de julho de 1871 o Papa disse o seguinte aos peregrinos de Nevers:
“(...) O que aflige nosso país e o impede de receber as bênçãos de Deus é esta MISTURA DE PRINCÍPIOS. Direi e não me calarei: O QUE TEMO NÃO SÃO ESTES MISERÁVEIS DA COMUNA DE PARIS...o que temo é esta desastrada política, ESTE LIBERALISMO CATÓLICO QUE É UM VERDADEIRO FLAGELO...este jogo de pêndulo que DESTRUIRIA a verdadeira religião. Sem dúvida, deve-se praticar a caridade, fazer o possível para atrair os extraviados; entretanto, NÃO É NECESSÁRIO POR CAUSA DISSO COMPARTILHAR COM SUAS OPINIÕES...”.
Pio IX então diz temer mais os católicos liberais do que os comunistas. E por que? Porque estes compartilham das opiniões liberais maçônicas, desejando uma síntese que destruiria a Igreja Católica. E o Papa vai de novo realçar isto, em um “breve” a um círculo católico de Quimper, em 1873:
“(...) em muitas ocasiões em que temos repreendido os partidários das opiniões liberais, não tínhamos em vista aqueles que odeiam a Igreja e aos quais seria inútil falar, mas nos referimos aos que CONSERVANDO E MANTENDO ESCONDIDO O VÍRUS DOS PRINCÍPIOS LIBERAIS ,com que se alimentaram desde o berço, sob o pretexto de NÃO ESTAR INFECTADO COM UMA MALÍCIA CLARA e que SEGUNDO ELES não é prejudicial a religião, o transmitem facilmente as almas e PROPAGAM assim AS SEMENTES DESSAS REVOLUÇÕES que sacodem já há bastante tempo o mundo”.
Todas estas passagens demonstram com clareza o perigo que é assimilar princípios da revolução francesa, aplicando-os a doutrina católica. E foi isso exatamente o que o Vaticano II fez! A LIBERDADE religiosa, a IGUALDADE sugerida a partir da colegialidade e a FRATERNIDADE “universal” a partir do ecumenismo e do diálogo são princípios liberais sintetizados a doutrina da Igreja. Tanto é verdade que o Vaticano II admitiu que a purificação e assimilação dos princípios liberais era o seu fim primordial. Veja o que está escrito no número 11 da Gaudium et Spes:
“(...) O Concílio tem a intenção antes de tudo de distinguir sob esta luz AQUELES VALORES QUE HOJE SÃO DE MÁXIMA ESTIMAÇÃO, relacionando-os à sua fonte divina. Estes VALORES, enquanto derivam da inteligência do homem que lhe foi conferida por Deus, SÃO MUITO BONS. Mas por causa da corrupção do coração humano eles se afastam não raro da sua ordem devida e por isso PRECISAM DE PURIFICAÇÃO”.
Ora, os valores que hoje são de máxima estimação pelos liberais e demais católicos que lhes estendem as mãos são exatamente os princípios liberais, que o concílio diz ser sua intenção “purificá-los”. E o então cardeal Ratzinger confirmou isso, ao conceder entrevista a revista “Jesus”, em 1984:
“(...) O problema dos anos 60 era adquirir os melhores valores resultantes dos séculos de cultura “liberal”. Efetivamente são valores que MESMO NASCIDOS FORA DA IGREJA PODEM ENCONTRAR SEU LUGAR, purificados e corrigidos, em sua visão do mundo. É o que foi feito”.
Incrível! Termino com uma frase de Dom Lefevre, que na página 51 do livro que citamos e que retiramos todas estas passagens escreveu:
“(...) É dramático que se afirme que os papas não viram o que há de verdade cristã nos princípios da revolução de 1789”. E continua na página 52: “É uma impiedade e injustiça aos papas dizer-lhes: ‘vós haveis juntado na mesma condenação os falsos princípios do liberalismo e as liberdades boas que ele propõe; haveis cometido um erros histórico’”.
Lutemos contra os defensores do Vaticano II, sabendo que são católicos liberais tão condenados quanto foram os liberais não católicos. Estejamos atentos também a esta ressalva: este tipo de católico é ainda pior do que os liberais, é um inimigo ainda mais perigoso do que maçons e comunistas. Mesmo que estejam bem intencionados.
22 de outubro de 2008
SOBRE O MAGISTÉRIO ‘PARALELO’…
Salve Maria!
Dois artigos publicados em blogues me chamaram a atenção nestes últimos dias:
O primeiro é um artigo do blog “Igreja Una”, tratando do “Magistério Paralelo dos Blogs”. Nele o autor faz uma crítica aos escritores que usam seus blogues para difundir os ensinos católicos, mas como em toda tarefa de escritor, está sujeito a expressar suas opiniões. O curioso é alguém que usa a mesma ferramenta fazer tal crítica. O que dizer do famoso livro “LEGÍTIMA INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA”, escrito por Lúcio Navarro na longínqua década de 50? Seria este livro um exemplo de “Magistério Paralelo” citado pelo autor do blog citado?
O outro artigo eu posso definir como um legítimo exercício de “Magistério Paralelo”: no site Veritatis Splendor (pra variar), publicou-se carta de uma leitora, na qual ela pede aconselhamento diante da conversão de seu marido ao protestantismo. Cheio de linguages rebuscadas, o sr. Sílvio L. Medeiros, com seu catecismo e sua bíblia em mãos, este sim, usurpa o trabalho do padre como pastor de almas e vai ‘aconselhando’ a senhora leitora. Eis aí o sinal de que a Igreja passa por uma crise; e aqueles que adoram criticar a Montfort de exercer um ‘Magistério Paralelo’ fazem exatamente aquilo que eles condenam em outros.
O objetivo do “TRADIÇÃO VIVA” nunca foi e jamais será exercer um “Magistério Paralelo”. Sempre haverá distinção entre o que a Igreja ensina e a opinião pessoal daquele que escreve no blog.
E aqueles que buscarem no autor algum conselho, darei aqui dois conselhos bem preciosos:
- Procure sempre seu sacerdote quando tiver alguma dúvida, ou aconselhamento sobre algum problema em sua vida;
- Ore muito, e confie na Providência Divina.
No mais, conte sempre com as minhas orações.
Pax Christi!!!
21 de setembro de 2008
E OS ABUSOS LITÚRGICOS CONTINUAM…
Salve Maria!
Sempre que me é possível acompanho minha esposa aos casamentos que ela é contratada para tocar. Normalmente chegamos cerca de 30 minutos e ainda pegamos o fim da missa, justamente no momento da comunhão. E aí verificamos o quão abusados continuam os conhecidos ‘MECEs’ e inclusive seminaristas que auxiliam o padre. Eis algumas coisas que percebi neste último:
- A equipe de música usando uma ‘bateria eletrônica’ cantava músicas e o som produzido por eles quebrava completamente o momento litúrgico (distribuição da Eucaristia);
- A comunhão sendo distribuída sob as duas espécies, e o pior: eram os comungantes que umedeciam as hóstias no pequeno cálice com o Sangue de Cristo;
- Não foi o padre quem fez a purificação dos vasos sagrados, e sim o seminarista;
- Os MECEs, após distribuírem a Eucaristia, se dirigiam ao altar lateral (onde se localizava o tabernáculo) e eles mesmos consumiam o que sobrara do Sangue de Cristo, enquanto o padre permanecia sentado em sua cadeira;
- Na oração pós-comunhão o padre não faz o convite “OREMUS'” e se manteve sentado em sua cadeira, com o povo também sentado.
Estou analisando a possibilidade de publicar neste blog fotos e citar os locais onde tais abusos vêm acontecendo. Creio que já está na hora de mostrar às autoridades eclesiásticas o quão fora de controle se encontram nossas paróquias e a própria Liturgia.
E, que, por favor, me mostrem no MISSAL ROMANO onde se lê o que cito acima.
Pax Christi!!!
14 de setembro de 2008
MAIS UMA PÉROLA DO PADRE 'METRO'...
Um dia desses, estava conversando com amigos quando de repente um deles me disse o seguinte "testemunho" do famoso padre Fábio de Mello (ou Fábio 'Melloso', como queiram...):
"Minha mãe não me ensinou a adorar santos... Ela me ensinou a adorar a Deus."
Ora, mas quem disse ao padre galã que católicos 'adoram' santos??? Seria então que ele desconhece a diferença entre 'venerar' e 'adorar'?
Que coisa, hein, padre???
Este assunto merece um artigo...
Pax Christi!!!

Não lhe ensinaram que CATÓLICO adora SOMENTE a DEUS???
19 de agosto de 2008
A SAÍDA DO IBP DO BRASIL.
No dia 03 de agosto de 2008 o Instituto do Bom Pastor encerrou suas atividades no Brasil. Na homilia proferia pelo Padre Roch, superior do IBP no Brasil, o sacerdote expõe os motivos pelos quais ele solicita ao Pe. Laguerie o fechamento da casa do Instituto.Em dezembro de 2006, a convite do professor Orlando Fedeli, presidente da Associação Cultural Montfort, participei da confraternização de Natal desta associação, e de certo modo vi a chegada do IBP em nosso país, pois tive a oportunidade de conhecer os Padres Rafael Navas (superior na América Latina) e o Padre Renato (primeiro superior no Brasil). Posso dizer que tive um privilégio de ter visto aportar no Brasil um novo instituto, que teria a missão de auxiliar o Santo Padre na leitura do Concílio Vaticano II. Pelo menos era o que se via nos discursos...
Ao passar do tempo foi-se percebendo que a língua do Pe. Laguerie e, principalmente do padre de Tanoüarn, assistente do superior do IBP, vão mudando o tom, se alinhando à mentalidade da Santa Sé e sua dubiedade. Já se tolera 'concelebrar' usando o NOM, exatamente como Campos já o faz (vide a 'celebração' realizada com a presença do Padre Roberto Lettieri, da Toca de Assis, bem como a presença de Dom Rifán na basílica nacional de Aparecida).
No Brasil, o IBP contou com o apoio da Associação Montfort para seu estabelecimento e sustento, bem como o auxílio na preparação de jovens para o seminário na França.
Mais tarde, o Padre Renato deixa de ser o superior do IBP e é designado para assumir o posto o Padre Roch Perrel. O IBP consegue junto à Arquidiocese de São Paulo uma capela para que se reze a missa dominical fora da casa.
Porém, quando se acreditava numa caminhada frutuosa do IBP, padre Perrel anuncia que aquela missa (do dia 3 de agosto) seria a última no Brasil, e coloca como motivo para a saída do IBP o papel que se dá ao sacerdote por parte dos fiéis.
Uma segunda manifestação se dá por parte do Padre Renato, em 06 de agosto, onde respnsabiliza o padre Laguerie e o professor Orlando pelo fim da caminhada do IBP no Brasil. E, ontem, publicou-se na Montfort o artigo "A Capela Vazia...", sobre o tema.
Analisando os fatos, desde a origem do instituto, sua instalação no Brasil e a sua repentina saída, e fazendo uma comparação singela com a FSSPX, chegamos à conclusão que o IBP nasce fraco, sem fiéis, sem clero. O IBP é uma associação formada por padres dissidentes da FSSPX, que buscaram antes de mais nada a caridade de Roma em serem aceitos e, se assim podemos dizer, se colocarem em uma situação de 'legalidade' diante da Santa Sé. Caminho este tomado primeiro pelo Barroux, seguido pela FSSP (Fraternidade Sacerdotal São Pedro) e mais tarde por Dom Rifán em Campos.
O IBP, por não ter fiéis, não teria como se manter no Brasil. E o apoio dado pela Montfort neste aspecto (fiéis e sustento da casa) foi de grande serventia para a implantação da casa no Brasil. Mas, e acho aqui um ponto capital na questão, o IBP queria ir mais além. Queria caminhar sem se sentir 'vinculado' a uma associação de leigos, e aí se começa a falar de proibições ao professor Orlando, não permitindo que fale aos candidatos do IBP e nem use a casa de formação... a casa que a Montfort conseguiu para eles.
As partes começam a se manifestar sobre episódio, e isso é muito bom. Bom porque as coisas vão começar a se aclarar para aqueles que observam de longe, como eu. No entanto, não vejo a saída do IBP como um golpe para a Tradição. Não essa Tradição que vive de 'acordos' como o IBP, a FSSP e o Barroux.
O IBP se comportou como a moça procurando um bom partido; um esposo rico, extremamente carinhoso e disposto a agradá-la de todas as formas. O IBP tentou tirar proveito do que a Montfort ofereceu e depois... tchau! Não preciso mais de você.
E, como em todo relacionamento, há uma rede de intrigas armada. E acredito que muitos véus ainda serão retirados para que cheguemos a uma verdade.
Pax Christi!!!
2 de maio de 2008
PELAS COSTAS ???
Salve Maria!
Repare a foto abaixo... você reconhece quem é o padre que se encontra às costas de Dom Castro-Mayer nas ordenações de Ècone em 1988, sob os olhares de Dom Lefebvre???
Seria aquele padre o mesmo que, anos depois, se tornou Bispo e levou os Padres de Campos para 'perto' da Roma Modernista tão combatida por estes dois baluartes da Tradição? Será aquele padre o Bispo que participou da 'celebração' realizada em Aparecida em 8 de setembro de 2004, como vemos nas reproduções abaixo?
O que não se faz por uma 'mitra'...
Pax Christi!!!
1 de maio de 2008
NADA MUDOU NA VONTADE DE ROMA...
Publicado no blog da RADIO CRISTIANDAD FM (Arg)
Tradução de Jorge Luis
***
Queridos amigos e benfeitores,
O Motu Próprio 'Summorum Pontificum', que reconheceu que a Missa tridentina jamais havia sido abolida, apresenta certas questões no que concerne ao futuro das relações da Fraternidade São Pio X com Roma.
Muitas pessoas, seja nos meios conservadores e inclusive em Roma, têm dito que, tendo feito o Sumo Pontífice um ato de tanta generosidade, e tendo dado - por isso mesmo - um sinal manifesto de boa vontade a nosso respeito, à Fraternidade já não lhe resta senão fazer uma só coisa: "firmar um acordo com Roma".
Alguns de nossos amigos, por desgraça, se têm prestado a este jogo de ilusões.
Queremos aproveitar a ocasião desta carta, publicada durante o tempo pascal, para recordar uma vez mais os princípios que guiam nossa ação nestes tempos problemáticos e assinalar alguns fatos recentes, que indicam bem claramente que, no fundo, fora da abertura litúrgica advinda com o Motu Próprio, verdadeiramente nada mudou, extraindo assim as conclusões que se seguem.
O princípio fundamental que dirige nossa ação é a conservação da fé, sem a qual - como diz o Concílio Vaticano I - ninguém pode salvar-se, nem pode receber a graça, nem pode ser agradável a Deus. A questão litúrgica não está em primeiro plano; não aparece senão como consequência de uma alteração da fé e, correlativamente, do culto devido a Deus.
No Concílio Vaticano II teve lugar uma notável mudança de orientação no que diz respeito à visão da Igreja, sobretudo em relação ao mundo, às outras religiões, aos estados, mas também enquanto a si mesma. Todos reconhecem estas mudanças; sem embargo, não são encarados da mesma maneira por todos.
Foram apresentados até agora como muito profundos, revolucionários; um dos cardeais do Concílio pôde dizer: "a revolução de 1789 na Igreja".
Quando ainda era cardeal, Bento XVI apresentava a questão da seguinte maneira: "O problema dos anos 60 consistia em incorporar os melhores valores de dois séculos de cultura 'liberal'. De fato, são valores que, ainda que tenham nascido fora da Igreja, podem encontrar um lugar - purificados e corrigidos - em sua visão do mundo. Isto é o que tem sido feito (revista 'Jesus', novembro de 1984, pág. 72).
Se impôs uma nova visão do mundo e de seus elementos em nome dessa assimilação: uma visão fundamentalmente positiva, que decretou não só um novo rito litúrgico mas também um novo modo de presença da Igreja no mundo, muito mais horizontal, mais presente ante os problemas humanos do que os sobrenaturais e eternos.
Contemporaneamente se transformava a relação com as outras religiões. Desde o Vaticano II, Roma evita todo juízo negativo ou depreciador das outras religiões. Por exemplo, a denominação clássica de "religiões falsas" desapareceu completamente do vocabulário eclesiástico. Também desapareceram os termos "hereges e cismáticos", que qualificavam as religiões mais próximas da religião católica; são eventualmente utilizados - sobretudo o termo "cismáticos" - como referência a nós. E o mesmo acontece com a palavra "excomunhão". O novo enfoque se qualifica como ecumenismo, e contrariamente ao que todos acreditavam, não se trata de um retorno à unidade católica mas da criação de um tipo de unidade que já não requer conversão.
A respeito das confissões cristãs se estabeleceu uma nova perspectiva, e ela é tanto mais clara em relação aos ortodoxos: no acordo de Balamand, a Igreja Católica se compromete oficialmente a não converter os ortodoxos e a colaborar com eles. O dogma "FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO" ao que alude o documento "Dominus Iesus" foi objeto de uma necessária reinterpretação à luz da nova visão das coisas: não se pôde manter este dogma sem expandir os limites da Igreja, o qual teve lugar com a nova definição da Igreja dada em "Lumen Gentium". A Igreja de Cristo já não é a Igreja Católica; esta subsiste naquela. Poderá dizer-se que uma subsiste na outra; sem embargo, se alega também uma ação do Espírito Santo e desta "Igreja de Cristo" fora da Igreja Católica... As outras religiões não estão destituídas de elementos de salvação... As "igrejas ortodoxas" se convertem em verdadeiras igrejas particulares sobre as quais se edifica a "Igreja de Cristo".
Estas novas perspectivas têm revolucionado evidentemente as relações com as demais religiões. Não se pode falar de uma mudança superficial; é claramente uma nova e profunda alteração que se pretende impor à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que permitiu a João Paulo II falar de uma "nova eclesiologia", reconhecendo uma mudança essencial nesta esfera da teologia que se refere à Igreja. Não entendemos de maneira alguma - segundo podia pretender-se - que esta nova compreensão da Igreja estaria ainda em harmonia com a definição tradicional da Igreja: é nova, é radicalmente outra, obriga o católico a um comportamento totalmente diferente com os hereges e cismáticos que, desgraçadamente, os têm levado a abandonar a Igreja e trair a fé de seu batismo. A seguir, já não são mais "irmãos separados" mas irmãos que "não estão em plena comunhão"... e estão "profundamente unidos" a nós pelo batismo em Cristo, e graças a uma união indestrutível... O último domcumento da Congregação para a Defesa da Fé sobre o 'subsist in' é bem esclarecedor a este propósito. Afirmando claramente que a Igreja não pode ensinar novidades confirma a novidade introduzida durante o Concílio...
Outro tanto acontece na evangelização: se afirma em princípio o sagrado dever de todo cristão de responder ao chamado de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado, será salvo; aquele que não crer, será condenado" (Mc 16, 15-16). Mas a seguir se afirma que essa evangelização não concerne mais aos pagãos, e por fim, não aponta nem aos cristãos nem aos judeus... Recentemente, a propósito da controvérsia sobre a nova oração pelos judeus, os cardeais Kasper e Bertone assinalaram que a Igreja não os converteriam.
Jutemos a tudo isso as declarações papais tendo como tema a liberdade religiosa; podemos concluir claramente que o combate da fé não mudou em nada nos últimos anos. O Motu Próprio, que trazia uma esperança de mudança no bom sentido a nível litúrgico, não é acompanhado das medidas logicamente correlativas em outros campos da vida da Igreja. Todas as mudanças introduzidas durante o Concílio e nas reformas pós-conciliares, as quais denunciamos porque a Igreja já as tinha condenado, são confirmadas; ainda que com esta diferença: de agora em diante se afirma ao mesmo tempo que a Igreja não muda... o que implica dizer que estas mudanças se situariam prefeitamente na linha da Tradição Católica.
O enredo a nível das palavras unido à afirmação de que a Igreja deve permanecer fiel à sua Tradição podem confundir a muitos. Mas enquanto os atos não corroborem as afirmações feitas, temos que concluir que NADA mudou na vontade de Roma enquanto a prosseguir com as orientações conciliares, seja o que fosse dos 40 anos de crise, de conventos despovoados, de igrejas abandonadas, de templos vazios. As universidades católicaspersistem em suas divagações, o ensino do catecismo segue sendo algo desconhecido, ao tempo que a escola católica já não existe como especificamente católica: se converteu em uma espécie extinta...
Eis aqui porque a Fraternidade São Pio X não pode "firmar um acordo". Nos alegramos francamente com a vontade papal de reintroduzir o antigo e venerável rito da Santa Missa, mas observa também a resistência - feroz em algumas vezes - de episcopados inteiros. Sem desesperar, sem impaciência, comprovamos que o momento de um acordo não chegou ainda. Isto não nos impede seguir esperando, continuar com o caminho fixado desde o ano 2000. Seguimos pedindo ao Santo Padre a anulação do decreto de excomunhão de 1988, persuadidos como estamos que fará um grande bem à Igreja; os condivamos para rezar para que isso aconteça. Contudo, seria muito imprudente e precipitado embarcar na concretização de um acordo prático que não se fundamentasse sobre os princípios fundamentais da Igreja, especialmente sobre a fé.
A nova cruzada do Rosário à qual lhes chamamis para que a Igreja volte a encontrar e retomar sua Tradição bimilenar exige também algumas precisões. A concebemos desta maneira: que cada um se comprometa a rezar o Rosário em uma hora certa do dia. Tendo presente o número de fiéis e sua distribuição no mundo inteiro, podemos estar seguros de que todas as horas do dia e da noite haverão vozes orantes e vigilantes, vozes que desejam o triunfo de sua celestial Mãe, o advento do reino de Nosso Senhor "assim na terra como nos céus".
+ Bernard Fellay
Menzingen, 14 de abril de 2008
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